Saiba porque a sua baixa autoestima pode ter sido aprendida - Miguel Lucas
Psicologia Comportamental 22/09/2016

Saiba porque a sua baixa autoestima pode ter sido aprendida

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

A baixa autoestima em algumas pessoas pode ter sido aprendida. Informações aprendidas e imprecisas de que você não é suficientemente bom no que faz, que não importam as suas opiniões, que os seus sentimentos estão errados ou que você não merece ser respeitado. Estas são falsas crenças com as quais muitas pessoas crescem. Elas podem não ter uma consciência bem clara dessas coisas, mas inferiram isso a partir de comportamentos e atitudes de familiares, amigos, pessoas significativas e situações. Muitas vezes essas crenças são transmitidas por gerações. Mudá-las não é fácil e é um processo difícil de fazer por conta própria, pois as pessoas podem não estar consciente dessas crenças sobre si mesmo.

Falsas crenças que conduzem a baixa autoestima

As pessoas têm muitos medos e ansiedades baseadas em falsas ideias sobre si mesmas e sobre os outros. Por exemplo, muitos pensam que cometer um erro é inaceitável e vergonhoso. Ficam ansiosos em assumir riscos, tentar algo novo ou expressar a sua opinião, porque têm medo de fracassar ou parecerem tolos.

A maioria não percebe que, inconscientemente, acredita que não pode ser amada, que é uma pessoa desagradável, fracassada, e de alguma forma inadequada. Mesmo que estejam cientes dessas falsas crenças, estão convencidas que é pura verdade. Como resultado, ficam ansiosos quando têm de falar de si mesmo, e esforçam-se por agradar ou impressionar os outros para que sejam amados e não rejeitados.

Em consulta psicológica, tenho atendido clientes que me relatam afastarem-se das pessoas para não arriscarem o abandono. Este tipo de comportamento anti-social acontece baseado nas suas crenças erradas e imaginam que os outros também irão julgá-los. Às vezes, eu testemunho um cônjuge afirmando que o outro está criticando ele ou ela, quando não é o caso. De fato, surpreendentemente, isso pode acontecer quando as chamadas palavras “críticas” são um reflexo das crenças depreciativas sobre si mesmo.

A falsa crença de desvalorização pessoal enfraquece a autoestima e a autoconfiança e tem sérias consequências na vida. Se você não sente valor pessoal e autoconfiança, vive em dúvida e desconfiado de si mesmo.

Sentir-se indigno prejudica a autoestima

Muitas pessoas não se sentem dignas de estar em posição de autoridade ou de ter sucesso ou mesmo felicidade. Aqueles que estão convencidos de que são ruins podem acabar por relacionar-se com pessoas emocionalmente ou fisicamente abusivas, o que reforça e piora a sua baixa autoestima.

A um nível consciente, elas podem ficar indignadas e pensar que merecem mais, mas ainda assim ficam e tentam convencer o opressor a aprová-las. Algumas pessoas ficam nesse tipo de relacionamento porque acreditam que o opressor as “ama”, o que as ajuda a superar a crença de que não são amáveis ​​ou que ninguém mais o fará.

Da mesma forma, muitas pessoas repetem relacionamentos com homens ou mulheres que estão emocionalmente ou mesmo fisicamente indisponíveis. Elas não sentem que merecem ser amadas de forma consistente. A crença inconsciente é que “tenho que conquistar o amor de alguém para que signifique algo“. Pode haver oportunidades para um relacionamento com alguém que seja amoroso e disponível, não estão interessadas. Em vez disso, elas estão empolgadas com alguém cujo amor precisam conquistar. Elas têm que ganhar para se sentirem valorizadas.

Não aceitar o que se sente prejudica a autoestima

Quando se cresce com a mensagem de que você não deve sentir-se de uma determinada maneira ou que não é seguro expressar certos sentimentos, o mais provável é que comece a acreditar. Exemplos podem incluir: dizerem-lhe para não ficar demasiado otimista, ser punido por raiva ou ter sua angústia ou tristeza ignoradas. Alguns pais envergonhados dirão aos seus filhos para não chorar, ou que irão dar-lhe uma razão suficientemente forte sobre o que chorar. 

Como um adulto, a tendência será para julgar e desonrar os seus próprios sentimentos. Eventualmente pode escondê-los de si mesmo. Se você não acredita que é normal sentir raiva, pode vir a comportar-se de forma passiva-agressiva, ficar deprimido ou ter sintomas físicos incómodos, desconhecendo quanta raiva está sentido. Isso é destrutivo para os relacionamentos. Algumas pessoas inibem o sexo ou têm casos extraconjugais porque estão com raiva, em vez de falar sobre os problemas no relacionamento.

Sentir que não merece coisas boas prejudica a autoestima

Com baixa autoestima, você também pode acreditar que não tem direitos ou que as suas necessidades não importam, especialmente as necessidades emocionais, como apreciação, apoio, gentileza, compreensão e ser amado. Você pode colocar as necessidades dos outros à frente das suas e não dizer “não” porque tem medo de que outras pessoas o critiquem ou o deixem, e ser guiado pela sua crença subjacente de ser inadequado e incapaz de ser amado. 

O auto-sacrifício por aceitação faz com que as pessoas se sintam desvalorizadas e ressentidas. Você pode questionar a si mesmo porque está infeliz, nunca achando que é porque não está atendendo às suas necessidades. Além disso, algumas pessoas não estão conscientes das suas necessidades. Se elas não sabem, não podem pedir o que querem. Seria humilhante. Em vez disso, elas não tomam medidas para atender às suas necessidades e esperam que outros o façam, sem divulgá-las. Essas expectativas ocultas contribuem para o conflito nos relacionamentos, que os íntimos quer os sociais.

Mudar as crenças autossabotadoras começa com a consciência. Você pode tornar-se consciente das suas crenças, prestando atenção ao modo como fala consigo mesmo:

  • Anote todas as coisas negativas que você diz para si mesmo. Muitas vezes, vejo clientes que, a princípio, desconhecem a sua o seu diálogo autocrítico, que chamo de crítica interna. Depois de um tempo,  descobrem que conseguem regular os seus humores e ações. Leia: Abandone a negatividade, acabe com o diálogo autocrítico
  • Observe a lacuna entre as suas intenções e ações.
  • Tire notas sobre essas discrepância e a suas interações com os outros.
  • Analise as crenças que motivam o seu comportamento. Pergunte a si mesmo de onde vieram essas crenças.

A crença mais importante é que você pode mudar.  A grande maioria das pessoas que atendo em consulta têm pouca esperança em que a mudança é possível. Usualmente, isso acontece por terem crescido a ouvir os pais repetirem: “Burro velho não toma ensino“.

Na verdade, novas pesquisas confirmam que podemos mudar as nossas crenças, e muitos estudos mostram uma forte ligação entre crenças, bem-estar e saúde. A mente é poderosa e criativa. Aprenda a usá-la para trabalhar a seu favor, não contra si mesmo. Ensino isso mesmo no meu livro =>> Como mudar a sua vida para melhor

Abraço,

Miguel Lucas

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Comentários
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David

Boa tarde, Miguel.

Sei exatamente o que me atormenta em relação às crenças negativas me que foram “ensinadas” na minha infância/adolescência com severa crueldade. Sei, também, como resolver. No entanto, quanto mais busco a resolução e mais próximo eu me encontro dela, pior eu me sinto. Não sei se entende: é como se eu estivesse numa distância de centímetros para alcançar algo muito precioso e uma força descomunal fizesse com que eu me afastasse do objetivo. Inclusive, em sonhos ao longo dos anos, vivencio essa situação. É como se eu nadasse até próximo da terra firme e, de repente, uma onda me puxa de volta ao mar revolto, onde fico me debatendo até encontrar forças para tentar de novo… E assim por diante…

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Miguel Lucas

David,
Não existe nenhuma força externa impedido que você alcance o que deseja, na verdade, “insconscientemente” você está decidindo não finalizar. Se em consciência você tomar essa atitude, por certo será bem-sucedido.

Força e convicção.
Abraço,

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Maria

Quero saber mais sobre auto estima pois faço tratamento a muitos anos mas não chego a perfeição!!! obrigado!!!

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Viv

Exactamente o que sinto tambem, David.
A metafora do mar e tambem o que a minha mente usa para descrever o que se passa.

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