Uma técnica brilhante para lidar com a ansiedade - Miguel Lucas
Terapias Psicológicas 22/09/2016

Uma técnica brilhante para lidar com a ansiedade

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

Quem não sentiu já os efeitos da ansiedade na sua vida? Por exemplo, em situação embaraçosa, como corar em sala de aula quando necessita de apresentar um trabalho frente a toda a turma. Depois, a situação pode agravar-se mais quando a pessoa esquece o que tem de dizer ou começa a tomar atenção a quem tem à sua frente e às possíveis reações críticas dos outros.

Quem já passou por algo parecido sabe que o próximo passo é numa situação futura idêntica evitar expor-se a novas situações. Mas se tiver mesmo de voltar a expor-se, antecipadamente irão aparecer na sua mente pensamentos catastróficos e paralelamente começarão a emergir sintomas incómodos no corpo, usualmente associados ao medo.

Por exemplo: “Oh Deus, é isso, se eu corar novamente a minha apresentação fica arruinada! Não posso corar, não vou corar! ”

Alerta de Spoiler: Esta técnica não irá servir. A sua insistência em não querer ficar vermelha, e o seu medo de que poderia ficar vermelha iria gerar exatamente aquilo que ela mais temia: ficar vermelha. Em vez disso, o que ela precisava fazer era mudar a sua atitude e aprender a lidar com a ansiedade. O que ela precisava fazer era “agir como se…”.

lidar com a ansiedade

Agir como se…

Quando a ansiedade se faz sentir e faz disparar um sem número de preocupações, usualmente desnecessárias, mas que canalizam a sua atenção para cenários de “e se…”, e consequentemente prejudicam os seus planos, você pode responder de duas maneiras. Pode optar por lutar com a ansiedade, inevitavelmente saindo a perder. Podendo emergir dúvidas acerca das suas ações, capacidades e habilidades, acabando estagnado. Ou, você pode “agir como se…” e perseverar diante da dúvida.

Quando “agimos como se…”, avançamos em direção à situação temida, como se tudo estivesse funcionando e estivéssemos convictos que somos capazes de nos sair bem. Comportamo-nos como se não houvesse uma grande ameaça para nós.

Na verdade este não é um novo conceito. Nós “agimos como se…” a maior parte do tempo, sem sequer saber que estamos fazendo isso.

  • Você pede um café e atua como se o café estivesse fresco e não contaminado.
  • Você sobe no elevador e age como se a vasta equipe de arquitetos, engenheiros e contratados que construíram essa caixa de metal em movimento vertical fossem experientes e capazes.
  • Você compra um livro de auto-ajuda e age como se o autor fosse um ótimo profissional.

Agimos como se… para quase tudo nas nossas vidas. Se não o fizéssemos, nunca conseguiríamos realizar nada. Não poderíamos assumir que a água canalizada que sai nas torneiras de casa está limpa. Não poderíamos assumir que a gravidade continuaria a manter os nossos pés no chão. Nós fazemos esses pressupostos sem pensar neles.

“Agir como se…” permite-nos agir, tomando duas formas:

  • Agir como se o conteúdo da sua preocupação fosse irrelevante.
  • Agir como se você tivesse as habilidades necessárias para realizar a tarefa.

Depois de apresentar esse conceito e ajudá-lo a mudar o seu ponto de vista sobre como lidar com alguns dos seus momentos de ansiedade, vou dar um exemplo de como seria aplicar um processo de melhoria para lidar com o medo de corar perante uma audiência. 

Então, certamente o processo poderia demorar algumas semanas, e necessitaria de uma mudança de mentalidade. Algo como: “Eu vou agir como se eu pudesse lidar com o rubor, e com as pessoas me julgando e sentindo alguma vergonha“. Com essa mentalidade, ela agora poderia avançar na sua incerteza. Não se engane: esta revisão da sua atitude, certamente iria ser bastante difícil. Mas essa é uma mudança profunda, para mudar de: “Eu não posso deixar-me sentir envergonhada” para “Eu vou agir como se eu pudesse tolerar sentir vergonha“.

E quando as suas preocupações surgissem na sala de aula, ela iria aceitar sentir a ansiedade, sem temer ficar vermelha.  Assim quando chegasse a hora de fazer a apresentação, ela conseguiria adotar o novo ponto de vista: “Eu posso lidar com o rubor durante a apresentação do meu trabalho.” 

Uma vez que ela assumisse essa atitude, a ansiedade não poderia mais mantê-la refém. Não iria certamente importar mais saber antecipadamente se iria corar ou não. Na verdade, realmente não importaria mais, porque já não importava para ela.

Em seguida apresento um vídeo onde explico formas simples de diminuir a ansiedade nos momentos mais difíceis no seu dia a dia:

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Abraço,

Miguel Lucas

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Comentários
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Ana

Sempre brilhante! Gratíssima

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