Autovitimiza-se recorrentemente? Saiba como adotar uma atitude mais funcional
Psicologia Comportamental 22/09/2016

Autovitimiza-se recorrentemente? Saiba como adotar uma atitude mais funcional

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

Você atribui o controle dos seus sucessos e fracassos para si mesmo ou para alguma força exterior fora do seu alcance? Por diversas razões, como por exemplo, excesso de peso, baixo salário, o seu parceiro, o estado da economia, o seu estado de humor, a sua genética, recorrentemente você sente-se amargurado, ressentido, chateado, com raiva? Se sim, reflita sobre o quê ou quem você culpa pelos altos e baixos da sua vida. A forma como cada um de nós avalia o estado da sua vida, as atribuições que fazemos, jogam um papel importante no grau de contentamento, bem-estar e realização pessoal sentido.

Locus de controle

Na psicologia, o locus de controle define o quanto uma pessoa acredita que é, em última instância a responsável pelos seus sucessos e fracassos. A palavra “locus” vem do latim, que quer dizer “localização”, é essencialmente onde uma pessoa sente a localização do seu controle sobre a sua vida, se é interno (referente a si mesmo) ou externo (exterior a si mesmo). As pessoas com um locus de controle externo elevado tendem a culpar continuamente os fatores ambientais pelas suas dificuldades de vida.

Por exemplo, se têm um mau desempenho no trabalho, estas pessoas são mais propensas a culpar o seu chefe, enquanto que aqueles com um elevado locus de controle interno podem atribuir esse resultado aos seus próprios esforços e habilidades.

Se você tem um locus de controle externo elevado, pode encontrar-se enfrentando continuamente o mesmo conjunto de consequências negativas, uma e outra vez, quer seja pessoalmente, profissionalmente, emocionalmente e até mesmo em termos da sua saúde física e saúde psicológica. Se você acredita sobretudo que não tem controle sobre a sua vida, então você fica numa posição muito vulnerável, essencialmente porque fica à mercê das circunstâncias, julgando nada poder fazer para alterar os resultados, repetindo uma espiral negativa de ações ou ausência delas.

vitima

Com o tempo, executar repetidamente os mesmos padrões problemáticos de comportamento a pessoa promove a autorrealização de profecias. A pessoa passa a acreditar que não vale a pena empenhar-se em ações direcionadas ao futuro, selando assim o seu destino, deixando de investir na sua vida ou na solução de problemas, aumentando o problema previamente profetizado. Alguns destes tipos de comportamentos são aprendidos. Todos somos influenciados pelos nossos educadores, pais e familiares próximos.

Se os seus modelos parentais enfatizavam a responsabilidade pessoal e esforço nas suas ações e tarefas a realizar, você pode ter tendência a lidar de forma positiva e construtiva com os altos e baixos da sua vida. Por outro lado, se os seus modelos parentais continuamente justificavam as dificuldades que enfrentavam como sendo responsabilidade externa (nível socioeconómico, trauma, abuso, guerra ou agitação social) você pode estar propenso a ter um locus de controle externo elevado.

Locus de controle tem sido extensivamente pesquisado e é um fator significativo em comportamentos promotores de saúde, estabilidade emocional , satisfação pessoal e realização profissional. Ter um locus de controle externo elevado pode fazer a pessoa ser mais propensa à depressão, pessimismo, autoestima diminuída, alcoolismo e obesidade.

É importante para o seu desenvolvimento pessoal e enquadramento futuro, considerar a forma como lida com os contratempos, ficando ciente de qual é o seu estilo de atribuição causal. Responda às perguntas que se seguem para ficar mais esclarecido. 

  1. Você acredita que os eventos positivos na sua vida são principalmente devido à sorte ou azar?
  2. Quando tem um revés ou experiencia uma falha em alguma coisa você culpa os outros?
  3. Quando você está chateado sente como se as suas emoções estivessem fora do seu controle?
  4. Quando tem uma discussão com um amigo / parceiro romântico você diz a si mesmo várias vezes o que eles fizeram de errado?
  5. Quando enfrenta um obstáculo ou desafio (pessoal ou profissional) você tende a desistir, ou seja, quer terminar ou mudar a responsabilidade no trabalho?
  6. Para ter sucesso você precisa agradar às pessoas influentes?
  7. Acredita que a forte pressão de grupos determina o seu papel em sociedade?
  8. Os seus planos não têm sucesso a não ser que se encaixem nos planos de quem é influente?
  9. A sua habilidade sem conseguir agradar aos outros, de nada lhe serve?
  10. O importante não é o que você conhece ou sabe, mas quem conhece?

Respondendo sim a todas estas perguntas sugere que você tem um locus de controle externo elevado, respondendo sim para algumas perguntas sugere que você aponta para causas externas em algumas situações. Se é o seu caso, importa reestruturar algumas das suas crenças no sentido de alterar a tendência que tem para atribuir as causas do estado da sua vida às circunstância exteriores a si mesmo.

Ao trabalhar no sentido de mudar a sua percepção de controle sobre a sua vida para uma atribuição maioritariamente interna, pode restituir-lhe a noção de ter capacidade para alterar a situação em que se encontra. Sempre que você se encontrar aborrecido ou preso a um relacionamento, trabalho, família, você poderá sentir  que está à mercê dos outros, culpando-os acerca das suas dificuldades ou sentimentos negativos. Mesmo que a sua culpa seja justificada, ficar preso nela não vai ajudá-lo a atingir os seus objetivos ou fazer você sentir-se melhor.

Abraço,

Miguel Lucas

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Comentários
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Lais

Achei muito interessante!

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Danilo

Parabéns muito bom e esclarecedor, existem coisas que passam despercebido a muita gente, e por isso não entendem o porque de tantos problemas e conflitos. Porem recebendo orientação de forma ordenada como aqui esta nesta publicação, muitas coisas se esclarecem e então indica um caminho novo que pode levar a grandes mudanças e fazr toda diferença na vida de uma pessoa.
Eu respondi o questionário fui bem sincero,
na 1ºpergunta respondi que hoje eu entendo que nem é sorte ou azar, Mas as minhas escolhas e atitudes quem define os eventos de min ha vida, Porem nem sempre foi assim e as consequências de não entender foram graves
E na verdade posso dizer que na maioria e porque não dizer em tudo eu poderia responder SIM a alguns anos atraz, realmente a cultura e influencia que tive por parte das pessoas próximas, e eventos desde infancia a onde não tinha controle sobre eles formaram em mim esta personalidade negativa de Locus Externo, porem ao longo da minha vivencia fui aprendendo e mudei algumas coisas, mas sequelas ficaram, por exemplo obesidade, baixa estima luto contra isso constantemente.
As perguntas 2,3,4,5 respondi SIM no que diz respeito ao aspecto negativo.
E as de numeros 6,7,8,9,10 respondi Não, pois ja tenho consciência e consigo lidar de forma positiva.

Obrigado, conteúdo de muita relevância, acompanho o Psicologia e Motivação á algum tempo e gosto muito, embora esta seja a primeira vez que eu comento.

Abraço e Parabéns

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Paola Rocha

Muito bom, me ajudou…

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Priscila

Muito esclarecedora essa reportagem. Não tinha consciência disso. Ler está matéria me ajudou muito pois estou tendo vários problemas em diversas áreas da minha vida e vejo que ter o lucos externo realmente dificulta as coisas! muito obrigada!

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Vicente

Muito bom esse comentário ,está me ajudando a ser um pouco melhor nas minhas decisões …

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