Além da medicação: desenvolvendo habilidades de enfrentamento no tratamento da depressão - Miguel Lucas
Terapias Psicológicas 22/09/2016

Além da medicação: desenvolvendo habilidades de enfrentamento no tratamento da depressão

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

Quando você está lutando com a depressão maior, é tentador acreditar que a medicação fornecerá alívio completo do seu transtorno. No entanto, os pesquisadores estão apresentando informações relevantes sobre os limites da medicação e propondo soluções para além da farmacoterapia para criar melhores resultados. As terapias que apoiam o desenvolvimento de habilidades de enfrentamento significativas são agora reconhecidas como essenciais para a criação de experiências de tratamento abrangentes, levando a melhores resultados.

Embora a medicação tenha assumido um papel central no tratamento da depressão maior nas últimas décadas, um corpo significativo de pesquisas também emergiu, mostrando que modalidades psicoterapêuticas específicas podem produzir resultados similares em curto prazo. Além disso, as evidências sugerem que os ganhos obtidos através de intervenções psicoterapêuticas são mais duradouros do que o tratamento antidepressivo.

É exatamente esse tipo de abordagem que apresento no meu livro: Diga não à Depressão – Um Programa Inovador para Superar a Depressão. Clique no link em baixo para conhecer o livro:

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Os limites da medicação

Os antidepressivos e outros tipos de medicamentos usados ​​para tratar a depressão revolucionaram o campo do tratamento da saúde mental. Eles melhoraram e até salvaram a vida de milhões de pessoas, retirando-as do abismo e restaurando o seu senso de identidade. Quando funcionam, é imenso o valor que esses medicamentos têm para as pessoas que lutam contra a depressão maior.

No entanto, a medicação não funciona para todos igualmente. Por exemplo, as meta-revisões constataram consistentemente que as pessoas com depressão grave apresentam uma resposta maior aos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRSs) do que as pessoas com depressão leve a moderada. Além disso, é bem reconhecido que há uma variação individual significativa na resposta a diferentes medicamentos.

Estudos sugerem que 10-30% das pessoas com depressão maior não melhoram com o tratamento antidepressivo ou mostram apenas uma resposta parcial, permanecendo em um estado geral de depressão severa. Muitos daqueles que geralmente respondem bem ao tratamento antidepressivo ainda apresentam sintomas residuais em vários graus. Outros são tratados com sucesso por um tempo, depois recaem devido a um gatilho externo ou porque a medicação parece parar de funcionar.

Em suma, a medicação, por si só, muitas vezes não fornece alívio completo e duradouro dos sintomas depressivos. Isso, no entanto, não significa necessariamente que a medicação está falhando em seu trabalho. Enquanto se acreditava que a depressão maior era o resultado de um desequilíbrio químico que poderia ser remediado com a intervenção farmacológica correta, essa teoria não conseguiu encontrar apoio empírico. 

O fato é que não se sabe exatamente as causas da depressão maior, mas sabemos que é um transtorno complexo com componentes emocionais, cognitivas, comportamentais e ambientais

Simplesmente modificar a química cerebral não aborda muitos dos fatores em jogo. A medicação não rompe automaticamente as crenças destrutivas e profundas, não faz com que o seu trauma, decepção ou dor desapareçam, não lhe fornece as habilidades necessárias para formar relacionamentos significativos ou manter um estilo de vida saudável que reduz o risco de recaída. 

Assim, enquanto a medicação pode estar regulando a parte neuroquímica do quebra-cabeça, não é uma panaceia. Pelo contrário, é uma peça, muitas vezes, uma peça crítica, em um projeto maior de tratamento.

Um estudo publicado na Nature Reviews Neuroscience comparou a terapia cognitiva-comportamental à medicação antidepressiva, descobriu que, enquanto terapia cognitiva-comportamental e a medicação antidepressiva tiveram efeitos similares a curto prazo, 54% dos pacientes que receberam apenas medicação antidepressiva experimentaram recorrência de depressão, comparados com apenas 17% daqueles que receberam terapia cognitiva. 

Em outras palavras, a terapia cognitiva oferece não apenas o alívio comparável de problemas agudos, mas também aumenta a proteção contra o ressurgimento de sintomas no futuro. Então, o que explica essa diferença de eficácia? Embora mais pesquisas sejam necessárias para entender melhor os mecanismos em jogo, a maioria dos especialistas da comunidade de saúde mental acredita que se trata de habilidades de enfrentamento.

É exatamente esta abordagem da terapia cognitiva-comportamental que pratico e que tem sido muito eficaz no tratamento dos meus pacientes. Caso você pretenda fazer uma marcação de consulta de psicologia online, deixo o link em baixo.

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Em seguida, apresento um vídeo onde explico mais em detalhe as razões pelas quais, na grande maioria das vezes, a primeira linha de atuação no tratamento da depressão deveria ser a abordagem psicológica, ao invés da farmacológica.

Abraço,

Miguel Lucas

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Comentários
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João

O que disse sobre depressão aguda aplica-se à depressão bipolar? Li online que o “litium”, (ou litio?), é o melhor medicamento contra a depressão bipolar para 30% dos pacientes. Mas para saber se faz bem a determinada pessoa que sofre de depressão bipolar precisa de ser tomado durante um ano e apresenta contraindicações como engordar, líbido, etc. Qual a sua opinião? Muito obrigado.

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Miguel Lucas

João,
Toda a medicação pode ter efeitos positivos ou negativos ou ambos. Como apenas os psiquiatras podem receitar medicação, caso opte por tratar a sua bipolaridade com fármacos deverá aconselhar-se com um psiquiatra. No entanto, para casos moderados de bipolaridade a terapia psicológica pode ser muito eficaz.
Abraço,

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Beca

Interessante sua fala no vídeo e tbm o texto. Algo chamou muita a minha atenção, o momento em que falas sobre o impacto do insucesso do tratamento no paciente. Não sei se entendi direito, mas denomina-se de Desesperança apreendida. É isso mesmo?
Por acaso fui direcionada a esse blog e fiquei lendo os textos. Chorei, sorri, aprendi, compartilhei e registrei no meu caderno algumas informações.
Foi impactante o artigo Crenças Destrutivas, Limitantes e Disfuncionais. Levou-me a uma viagem, em que com mais clareza fiz algumas reflexões e conclusões. Algumas coisas já havia conversado com minha psiquiatra, mas de forma pontual e superficial. Inclusive compartilhei o seu artigo com ela e escrevi um pouco daquilo que seu texto levou-me a perceber acerca de mim mesma. E tive que reconhecer que não estava sendo uma boa paciente para minha psiquiatra, pq em muitas consultas já vou preparada para não abrir-me com ela e não estava seguindo as orientações. Muito desse meu comportamento com ela vem de Crenças Destrutivas que carrego comigo + desesperança no tratamento e na minha vida + . é horrível ter que admitir isso pra mim mesma, mas por vezes penso e falo pra mim mesma “aff, não tem jeito pra mim.”, porque são anos que tenho depressão e nos últimos 5 anos em que a depressão juntamente com os transtornos associados (crises de ansiedade, mudanças bruscas de humor e transtorno do pânico, pensamento suicidas) impactou drasticamente meu cotidiano…minha “vida.” É muito louco pra mim não sentir prazer por nada, a extrema apatia, não fazer planos…Não ter expectativas e sonhos. Antes de tudo isso, eu era uma pessoa super pro-ativa, adorava fazer planos mesmo quando imprevistos aconteciam e tinha sonhos (alguns realizei outros nao), vivia no mundo… Claro que tinha receios, inseguranças, errava, insucessos e sucessos e as vezes tinha períodos que ficava triste sem motivo aparente. Mas, de 2014 pra cá, durante esses últimos 5 anos, a depressão ficou evidente-intensa alterou meu dia-a-dia e afetou todas as áreas da minha existência. Então fiz tratamento com medicação e fui umas 4 vezes a terapia (logo desisti) só tive uma única fez uma melhora considerável que foi no ano passado e eu achava que estava curada, mas infelizmente de junho pra cá voltou com tudo. Quando voltei a tomar antidepressivo e voltei a desejar e pensar na morte perdi totalmente qualquer esperança. Graças a Deus fui ficando mais calma, a mente foi clareando…tomei uma decisão importante. Dei alguns passos para trás e tive o apoio da minha família e da minha psiquiatra. Os seus textos trouxeram um pouco mais de clareza pra mim. E eu quero tratamento e tbm cuidar de mim. Por isso, vou dedicar um tempinho para estar buscando conhecer mais sobre essa doença. Eu tinha aversão a fazer terapia (resultante de crenças Destrutivas + experiências com psicólogas que conheci), mas irei buscar sim fazer mesmo tendo medo de fracassar. Eu tbm quero ser mais transparente com minha psiquiatra e confiar nela. Quero não ser dominada pelo medo e nem pela ansiedade…voltar a sair de casa e ter relações saudáveis. Olhar pra mim…gostar de mim. Eu preciso uma mudança da mente e ter novos hábitos. Obrigada pelos textos.

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Miguel Lucas

Olá Beca,
Sim você está correta, o nome é: Desesperança aprendida!
Fiquei muito contente ao ler o seu testemunho, e ao mesmo tempo triste.
Contente por saber que os meus conteúdos serviram para o esclarecimento sobre a possível melhoria e também ajudaram na sua reflexão sobre a sua atitude face ao tratamento, e nas causas que estavam travando a sua recuperação.
Triste, porque a descrição da Beca é comum a milhares de pessoas que sofrem com o problema da depressão, e que por desconhecimento, por más experiências na recuperação e por equívocos no tratamento, remetem-se para a paralisação da sua vida.
Mas, muito pode ser feito. Por isso nos meus vídeo e artigos, esforço-me por disponibilizar o máximo de informação que possa ajudar quem sofre.

Se por algum motivo um dia precisar da minha ajuda profissional, não hesite em procurar-me. Deixo aqui o link das consultas de psicologia online: https://www.miguellucas.com.br/sessoes-online/

Cuide de si, procure tratamento e mantenha-se fiel à ideia de que recuperar é possível.
Tudo de bom.
Forte abraço,

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