8 dicas para curar feridas emocionais - Miguel Lucas
Saúde e Bem-Estar 22/09/2016

8 dicas para curar feridas emocionais

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

Para quem sente diariamente o peso das suas feridas emocionais, a cura ou superação pode parecer um sonho longe de se concretizar. Você já se perguntou se a cura de feridas emocionais é realmente possível? Alguém pode realmente superar o trauma, rejeição, depressão, um coração partido? Talvez você esteja sofrendo há muito tempo e as coisas não parecem estar melhorando.

Talvez você se sinta preso, como se tivesse tentado de tudo e nada surta o efeito desejado. Ou talvez você se sinta muito velho ou seja tarde demais para mudar. Quando se sente tão desesperançado e derrotado, a tarefa de reconstruir ou reinventar a si mesmo e a sua vida parece ser uma tarefa inglória. É natural ter dúvidas, e a ideia de ultrapassar as feridas emocionais ser algo impossível.

Curar feridas emocionais é possível

Como psicólogo, tenho ajudado muitas pessoas a fazerem recuperações notáveis, tornando-se emocionalmente saudáveis, felizes e mais completas, muitas vezes de maneiras que nunca imaginaram.

Mas, é verdade, que nem todos conseguem superar as suas feridas emocionais. Algumas pessoas continuam a sentir profunda dor emocional, repetem comportamentos e relacionamentos prejudiciais e lutam diariamente com pensamentos negativos e distorcidos. Na minha prática profissional, notei algumas semelhanças entre pessoas que superam o seu sofrimento emocional.

Espero que essas reflexões e dicas possam também ajudar na sua superação das feridas emocionais.

1 – Dê pequenos passos

Tentar fazer muitas alterações de uma só vez pode ser muito prejudicial. Se definir expectativas irrealistas você pode ficar sobrecarregado ou sentir-se um fracasso. E mudanças dramáticas são muitas vezes insustentáveis. Fazer mudanças pequenas, gerenciáveis ​​e incrementais criam sentimentos de sucesso, esperança e encorajamento que são importantes para conduzi-lo ao longo do seu processo de superação. 

2 – Você não precisa sentir-se plenamente feliz para melhorar a qualidade da sua vida

Muitas pessoas acreditam erroneamente que a cura emocional é tudo ou nada. Mais uma vez, essa crença pode ser desanimadora e avassaladora. Você não pode mudar de sentir-se muito mal para no dia seguinte estar super feliz.

Qualquer melhoria modesta deverá ser sentida como um passo em frente rumo à sua melhoria de qualidade de vida a médio prazo. Mantenha-se firme na dica anterior. Dê um passo de cada vez e certamente irá notar pequenas melhorias no humor, capacidade de lidar com incómodos situacionais, relacionamentos, autoestima e capacidade de completar as suas atividades diárias.

3 – Seja paciente e persistente

Curar feridas emocionais não se faz num passe de mágica, dá muito trabalho. Precisamos ser pacientes e dar o tempo necessário para obter novos conhecimentos e habilidades. Você precisa continuar a investir na melhoria das suas feridas mesmo quando estiver difícil. Mantenha-se comprometido em tentar novas abordagens e a desafiar-se para implementar novos comportamentos, atitudes e atividades, em que o retorno dessas mudanças o façam sentir-se melhor.

4 – Defina expectativas realistas

Eu acredito muito na importância de estabelecer expectativas realistas. Quando não o fazemos, acabamos desapontados e frustrados, muitas vezes sobre nós mesmos, o que não nos ajuda na superação.

Uma das expectativas irrealistas mais comuns que percebo nas pessoas que acompanho é esperarem que o progresso avance de forma consistente. Ninguém fica cada vez melhor, mais capaz, a sentir-se cada mais forte e mais saudável de forma contínua.

O progresso é mais provável de ser dois passos para frente e um passo para trás. E, sinceramente, não se surpreenda se às vezes forem dois passos para trás e um passo para a frente. Isso não é um fracasso, é uma realidade. Isso não é voltar ao mesmo, é o processo de melhoria a manifestar-se.

Expectativas realistas combinadas com pequenos passos, paciência, persistência e autocompaixão levarão ao progresso. Pode no entanto, incluir alguns desvios temporários e ser mais lento do que você gostaria.

5 – Veja os retrocessos como parte do processo e oportunidades de aprendizagem

Não só os retrocessos são normais, mas também são frequentes. Aprendemos tanto com o que não funciona como com os sucessos. Então, em vez de tentar evitar contratempos ou recaídas, aceite que são parte do processo e desafie-se a ter curiosidade sobre o que pode aprender que o ajudará a avançar em direção à superação e melhoria.

Não olhe para as contrariedades como voltar ao mesmo, nem associe isso a impossibilidade de melhoria.

Se algo não está funcionado é sinal que você está tentando. Não desanime.

6 – Priorize o autocuidado e a autocompaixão

Quando você exige muito de si mesmo, precisa dar muita atenção para si mesmo. E trabalhar na cura emocional requer muita energia, tempo e, às vezes, dinheiro.

Para continuar firme no processo, você precisa realmente prestar atenção aos seus sentimentos e às suas sensações físicas no seu corpo (como músculos tensos, dores de cabeça, fadiga, tremores, dormência, etc.), porque essas são a maneira como o corpo lhe diz o que precisa. Aproveite o tempo extra para sentir e cuidar bem de si mesmo.

Arrange formas de restaurar e recuperar as sensações corporais. Esforce-se para fazer o seu corpo sentir-se bem, isso é um passo para você se sentir melhor.

7 – Procure por ajuda

A superação e melhoria não é para ser feita isoladamente. Não é fácil pedir ajuda, especialmente se teve más experiências no passado. Mas buscar ajuda tem muitos benefícios, como apoio emocional, orientação e comprometimento.

A ajuda pode assumir muitas formas diferentes, dependendo das suas necessidades, por isso espero que você a veja como outra forma de autocuidado e procure o tipo de ajuda que melhor atenda às suas necessidades.

Aqui mesmo, você pode ter a minha ajuda profissional usando o meu serviço de consultas de psicologia online ou adquirindo algum dos meus produtos:

8 – Poesia de superação

Se você se sentir desanimado, uma meditação guiada, mantra ou leitura pode ajudá-lo a mudar os seus pensamentos para uma perspectiva mais esperançosa e positiva. Deixo um exemplo de uma poesia da minha autoria. Você pode também tentar criar uma que seja específica para seus próprios desafios e necessidades.

Dormência

A vida bate-me,
A vida arrasta-me, centrifuga-me, amassa-me, escama-me,
Sinto-me entorpecido, rígido, distante,
Olho para a beleza, mas não a sinto,
Falam-me ao coração, mas permaneço magoado,
Sensibilizam-me para a esperança, mas mantenho-me entrincheirado na decepção.

Que corpo é este que caminha anestesiado?
Que corpo é este que endureceu uma mente anteriormente ávida de vida, de emoção e paixão?
É um corpo humano,
Que se entristece, que se obscurece, se penaliza, se aprisiona,
É um corpo que se vai protegendo, que vai endurecendo, que vai querendo ficar imune à dor emocional.

Perde sensibilidade, perde humanidade,
Desliga-se dos seus sentidos, liga-se à dureza das suas experiências, experiências sofridas, injustas, traumáticas, punitivas,
Enrijecem o corpo, enrijecem-me,
Não sinto, as coisas passam-me ao lado, batem-me, mas já não me magoam, ouço-as, mas não me afligem a mente,
Deixei de ruminar nas perdas,
Deixei de reclamar no apontar do dedo,
Deixei de me importar.

Estou presente na vida, mas ausente de vida,
Que corpo é este?
Capaz de caminhar dormente, com a mente desvigorada, com o coração lascado,
É um corpo que segue as interpretações que faço, que julgo fazerem sentido,

É um corpo que se desconhece, que julga precisar de alienar-se para encaixar as agruras da vida,
É um corpo que desconhece e me leva a desconhecer as formas práticas e saudáveis de suportar a dor.

Quero conhecê-las, quero voltar a sentir, a sentir-me em pleno com a vida, Voltar a mim,
Pouco a pouco quero recuperar a minha sensibilidade,
A sentir o calor do abraço, a dor da perda,

A dor de alguém que me foi querido e partiu,
Sinto a dor, suporto-a, ela é inversamente proporcional ao meu gostar, quanto mais sinto, mais gosto.

A dor da perda faz-me sentir o quanto eu gosto, gostei ou vou continuar a gostar,
Como é bom gostar de sentir, de ficar ligado com a vida,
Com as coisas boas, e as que provocam dor,

Voltei a sentir,
A sentir o pulsar da vida.

Abraço,

Miguel Lucas

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