4 sinais de que a baixa autoestima está deixando você ansioso - Miguel Lucas
Psicologia Comportamental 22/09/2016

4 sinais de que a baixa autoestima está deixando você ansioso

Miguel Lucas Publicado por Miguel Lucas

A maioria das pessoas que atendo em consulta por causa da sua ansiedade apresentam uma característica comum, passam grande parte do tempo focadas nos seus sintomas angustiantes. Sentem-se constantemente bombardeadas por pensamentos perturbadores e à mercê dos seus pensamentos intrusivos. Usualmente sofrem com a preocupação excessiva, o que faz com que andem muito nervosas e apresentam dificuldades em dormir.

Embora esses sintomas sejam muito incómodos causando enorme mal-estar, muitas vezes há algo mais profundo subjacente a todo esse sofrimento emocional. Frequentemente, a questão mais prejudicial não é a ansiedade, mas sim um déficit de autoestima.

Se você percebe que a sua baixa autoestima é a principal responsável pela sua ansiedade, não desespere! Em seguida apresento 4 sinais que indicam que a baixa autoestima é o cerne da sua ansiedade e como trabalhar cada um deles.

1. Ficar paralisado pela rejeição

Você esta sempre muito atento à procura de indícios ou possibilidades que confirmam a rejeição? Esse hábito pode fazer com que se sinta muito ansioso e extremamente preocupado em ser excluído ou que os outros não gostem de você. Provavelmente investe muito do seu tempo e dedicação na tentativa de ganhar a aceitação de pessoas que o desvalorizam ou não lhe dão atenção, e ao invés, desvaloriza as pessoas que se importam consigo e o amam por quem você realmente é.

Perceba se você investe grande parte da sua energia em obter o inatingível? Se sim, como resultado, pode ter vindo a entrar e a sair de padrões de relacionamento cíclicos e autodestrutivos. Isso pode fazer com que se sinta ansioso, preocupado e hiper-vigilante sobre a suas falhas percebidas, quando o que você realmente precisa é concentrar-se em aceitar-se como realmente é, e aprender a gostar de si mesmo. Por vezes temos de conquistar a amizade e o carinho de algumas pessoas. Até aí tudo bem, mas não faça isso para compensar a sua baixa autoestima.

Não temos de gostar de todas as pessoas, nem todas as pessoas têm de gostar de nós. Evite associar o seu valor pessoal à aceitação que sente por parte dos outros. Tome consciência dos seus valores pessoais, o que valoriza na sua vida, aquilo a que dá significado, o que gosta, que interesses tem, e organize-se em função disso. As suas realizações serão fruto da forma como operacionaliza aquilo que o motiva na vida.

2. Não sair da zona de conforto

Você está relutante em abraçar novos interesses, oportunidades de trabalho, amizades? A baixa autoestima geralmente significa que tem medo de interagir ou relacionar-se com pessoas que não conhece e fazer novas atividades que provavelmente aumentariam o senso positivo de si mesmo. Isso significa que você perde diversão e excitação e até mesmo possibilidades de relacionamentos íntimos, para que se sinta seguro (embora frequentemente deprimido ou angustiado) na sua zona de conforto.

Com o tempo, a perspectiva de expandir a sua zona de conforto deixa-o cada vez mais ansioso e em pânico. A ansiedade pode impedi-lo de fazer algumas atividades necessárias ao seu crescimento e desenvolvimento pessoal, impossibilitando assim que conquiste alguns dos seus objetivos que o ajudariam a valorizar-se.

Você precisa entender que a sua ansiedade vai sempre disparar por cada vez que acreditar não conseguir realizar algo, ou que não vai ser aceite, ou que as pessoas não vão gostar de si.

Para aprofundar o assunto leia: 6 razões para expandir a sua zona de conforto

3. Perfeccionismo

Você enfatiza o que está errado consigo e na sua vida e não enfatiza o que está indo bem? Sentir-se como se sempre houvesse um problema pode deixá-lo ansioso e com a sensação de estar sempre precisando “consertar” as coisas. A ideia de ter que estar tudo bem e perfeito o tempo todo, pode torná-lo intolerante aos problemas do dia a dia, e sentir-se sempre aquém dos seus objetivos (ser perfeito, o que pode incluir a crença de que todas as pessoas têm de gostar de você).

Importa tomar consciência que a natureza da vida é a mudança. A ideia de que você deveria (ou poderia!) ter a sua vida sempre organizada, controlada e de acordo com os seus objetivos o tempo todo é uma ilusão. Trabalhar para aceitar isso liberta-o da amarra: “Tudo tem de ser perfeito e fazer-me sentir bem o tempo todo.”

Para aprofundar o assunto leia: Como libertar-se da necessidade de ser perfeito

4. Foco interno

Você rumina sobre problemas do passado ou pensa sobre possíveis erros futuros? Reviver internamente o que fez de errado ou imaginar o que pode ou não atrapalhá-lo no futuro cria ansiedade extrema. Em vez de ficar viajando mentalmente na sua cabeça, foque a sua atenção no momento presente. Toda vez que você percebe que os seus pensamentos estão viajando para acontecimentos negativos do passado, ou a problematizar o que pode vir a ocorrer no futuro, volte para o presente.

Prever e repetir a negatividade não impedirá que você experimente retrocessos, mágoa e julgamento ou críticas de outras pessoas. Quanto mais você acreditar em si mesmo, nas suas habilidades e na sua capacidade de administrar o que vier à sua frente, menos ansiedade enfrentará e melhor se sentirá a seu respeito.

Na minha Palestra: Como melhorar a autoestima e autoconfiança, apresento formas práticas e simples de voltar a sentir-se seguro na interação com os outros, a expandir a sua zona de conforto e a promover a sua autoestima.

Abraço,

Miguel Lucas

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Comentários
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Pires

Considero-o o melhor psicólogo que conheço online para o que considero prioritário: curar depressão e evitar suicídios, segunda causa de morte não natural no mundo, segundo OMS. Consta-me que a depressão bipolar causa uma percentagem de suicídios muito superior a outras forma de depressão. Se é verdade não deveria ser prioritário divulgar as curas e prevenções? Encontrei online informações muito contraditórias sobre curas da depressão com estimulação cerebral transcraniana e outras forma de estimulação electromagnética, electrochoque etc. Alguns dizem que os medicamentos não curam, apenas têm efeito de melhoramento se tomados toda a vida em 60 a 70% dos casos. As estimulações curam em poucas semanas em 80 a 90% dos casos, e só é necessária uma sessão de manutenção uma vez por mês ou por ano. Encontrei outros que dizem que a estimulação cerebral transcraniana não serve para a depressão bipolar. Qual é a sua opinião? Alguém sabe com certeza onde está a verdade no mar de informações contraditórias online?

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Miguel Lucas

Olá Pires,
A depressão e a depressão Bipolar, não têm necessariamente uma cura, pois se tivessem, facilmente se irradicava. O que acontece é que não podemos ver o problema de forma meramente biológica, mas sim como um problema biopsicosocial. Ou seja, existe uma interrelação entre a depressão, a forma como a pessoa vê o mundo, os acontecimentos da sua vida, e o impacto que isso tem no seu organismo (nas suas emoções, e química interna).
Por esta razão eu sou apologista em falarmos em ABORDAGEM de tratamento, e não em cura.
A abordagem pressupõe um entendimento do historial da pessoa, e da aplicação de técnicas e estratégias psicológicas que se comprovem funcionar com a pessoa (eu pratico a abordagem cognitivo-comportamental). E dentro desta abordagem nem tudo pode funcionar para determinada pessoa.

Abraço,

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